Doméstica de São José dos Pinhais é alvo de assédio e preconceito ao procurar emprego em rede social
A ideia era apenas conseguir um emprego. No entanto, em vez de receber ofertas para trabalhar, a doméstica Mercedes Gomes, de 70 anos, foi assediada e virou alvo de preconceito linguístico ao fazer uma publicação em uma rede social para se colocar à disposição de propostas de trabalho, no último domingo (1.º).

Em entrevista à Banda B na tarde desta quarta-feira (4), a doméstica fez um relato emocionante e revelou mensagens recebidas em um aplicativo de mensagens após ter divulgado seu número de telefone na publicação.
“Recebi muitos comentários desagradáveis. Eu não tenho estudo. Então, o que eu sei, aprendi com meu esforço e com as pancadas da vida. Eu sei ler, mas não sei escrever direito”, iniciou a idosa.
Na publicação feita por ela, a qual foi obtida pela reportagem da Banda B, os erros ortográficos provocaram comentários preconceituosos (veja abaixo).

“Eu fiz a publicação pedindo emprego como diarista ou para trabalhar em algum escritório como faxineira, e as pessoas pensaram que eu estava procurando vaga de secretária. Eles começaram a fazer bullying, me mandaram estudar e disseram que eu era uma velha caduca”, explicou, sob choro.
Mercedes recebeu mensagens de pessoas pedindo fotos do corpo dela e até perguntando se ela trabalharia com prostituição. “Vc tem foto de corpo?”, disse um. “Humm que delícia. Quero vc”, escreveu outro. “Quero bem gostoso”, enviou outra pessoa a ela.
A mulher lamentou o ocorrido e afirmou que tem passado por dificuldades financeiras: “Eu vou completar 71 anos e não tenho ajuda de ninguém. Recebo só uma pensão e tenho que pagar minhas contas. Eu quero que as pessoas parem de tirar sarro da minha cara. Eu já chorei muito”.
À reportagem da Banda B, ela disse que ainda não registrou boletim de ocorrência sobre o caso.
Reportagem Banda B


