Série Especial Halloween; O choro do Antenor.
Onde é o Shopping São José, já existiu o antigo Hospital Pinheiro, um lugar marcado por histórias sombrias e um passado de dor. Mas entre todas as histórias que assombram o local, a mais conhecida é a do Louco do Hospital Pinheiro, um homem chamado Antenor, cuja presença parece jamais ter abandonado aquelas paredes.
Antenor era um homem simples, vindo da área rural, e casado com uma mulher que nunca engravidou. Sonhando em formar uma família, ele tentava entender por que os filhos que tanto desejava não vinham. Com o tempo, o relacionamento deles começou a se deteriorar. As brigas se tornaram frequentes, e a suspeita de que sua esposa não queria realmente ser mãe corroía o coração dele.
Numa manhã de sábado, Antenor comprou um bilhete de loteria ao passar pela matriz. E, por um capricho do destino, ele ganhou. Mas a sorte virou um verdadeiro pesadelo. Ao saber do prêmio, sua esposa começou a tramar uma forma de ficar com todo o dinheiro. Apesar de inicialmente pensar em tirá-lo de seu caminho de forma fatal, ela escolheu uma abordagem mais lenta e calculista. Começou a colocar pequenas doses de um medicamento em suas refeições, que causavam alucinações. Em pouco tempo, Antenor se perdeu em um mundo de visões e delírios, e os rumores de sua loucura se espalharam. Ele foi internado no Hospital Pinheiro, onde começou seu calvário.
Nos dias de internação, os enfermeiros e médicos da época comentavam que seu choro era de partir o coração. Dizem que ele repetia, entre lágrimas, que tudo o que queria era justiça por ter sido traído e envenenado por sua própria esposa. No dia de sua morte, na parede de seu quarto, Antenor escreveu em letras trêmulas: “Só quero vingança pela mulher que me deixou aqui.”
Depois que ele morreu, o hospital parecia não mais o mesmo. O chão de seu quarto sempre estava úmido, como se marcado por lágrimas eternas. E mesmo após a demolição do hospital e a construção do shopping, aqueles que trabalham no shopping dizem, durante as noites mais silenciosas, ainda ouvir o choro triste e inconfundível de Antenor. Alguns juram já ter visto o chão do estacionamento como se estivesse suado, uma lembrança de que o Louco do Hospital Pinheiro ainda perambula, buscando a paz que nunca encontrou em vida.


